Beleza é um Conceito Relativo

esquisito

É engraçado como todo mundo sempre parece estar muito interessando em saber o que os outros vão pensar sobre tudo. Sejam textos ou outras coisas – como vestimentas, estilos, culturas, etc. O pensamento vem escrito em uma das frases tão comuns quanto possível: mas o que os outros vão pensar? Ou pior, as pessoas vão achar que você é… Como se houvesse algum tipo de tabu intangível diante do que pessoas aleatórias na rua poderiam pensar sobre algum completo desconhecido que passa ao seu lado. É estranho e engraçado como as pessoas dão tanta importância para essa “opinião dos outros” que deixam de fazer as coisas ou usar as coisas só se perguntando se aquilo vai parecer ruim para uma visão externa. Ou algo pior ainda como virar tópico de conversa para estranhos completos e absolutos sobre como eles não aprovam do seu estilo de vida ou do jeito como você se veste ou das coisas que faz.

Entretanto, não é só com estranhos como com pessoas conhecidas. Sempre tem aquele frio na barriga de ir para reuniões de família, por exemplo, porque imagina se as pessoas da sua família não gostarem do seu novo corte de cabelo! Ou não acharem legal o jeito como você está se vestindo! Pior ainda quando é aquela reunião de amigos que você não vê há tanto tempo e que quer fazer questão de impressionar por ter mudado tanto daquela pessoa que eles antes conheceram. Não só mudar, claro, mas mudar para melhor! Porque não adianta mudar se for mudar para pior. É sempre um pensamento assim que assombra essas mentes humanas cobertas de baixa auto-estima como a sociedade na qual eu vivo tem. Repletas da influência de imagens que já habitam no nosso imaginário pessoal de tanto que somos enfiados com elas, tentamos viver diante dessa sociedade das aparências e sempre nos perguntando se estamos bem para o olho externo. Afinal, alguém pode estar olhando, não é? Aquela ida na padaria para comprar pão as sete da manhã não pode ser feita desleixadamente, porque vai que eu encontro com alguém que eu conheço! Pior, vai que encontro com alguém que eu não gosto.

Por que passamos o tempo todo nos preocupando com isso? Do que importa a opinião dos outros? Por tudo que é mais sagrado, quem sequer são esses “outros” com quem todo mundo se importa tanto? Por que o fato deles estarem satisfeitos com a sua figura deveria importar mais do que você mesmo estar satisfeito com ela? Por que você ou eu ou qualquer um deveríamos andar pelo mundo agindo de maneira a agradar uma opinião pública vazia e que nunca vai estar realmente satisfeita com a imagem desse eu individual? Afinal, vivemos em um mundo de imaginários perfeitos onde a imagem correta é a imagem perfeita que é inatingível, como tudo que tem essa característica é. Sempre vai ter alguns quilinhos a mais (terrível, extremamente terrível), ou alguns quilinhos para ganhar (afinal, ser magra demais também é crime), ou alguma coisa na aparência que denota que você pertence a um desses tipos indesejáveis (seja qual for, o estereótipo está sempre ai para brincar), qualquer coisa! Então por que é tão importante atingir o máximo que conseguimos da nossa aparência para estarmos a favor dessa opinião pública?

Isso foi uma coisa que eu comecei a me perguntar quando cortei o meu cabelo curto, uma coisa que eu tinha deixado de fazer por muito tempo e sempre foi algo que eu achei bonito. O fato é que quando eu era mais nova eu fiz uma tentativa de ter um cabelo mais curto, cortando-o chanel. Eu achei que tinha ficado bonito em mim, mas as pessoas que conviviam comigo não pareceram achar tanto e fizeram questão de fazer da minha vida um inferno por conta de um corte de cabelo. Piadinhas, olhares, comentários, etc. No começo era terrível, mas depois apenas se tornou casual. O resultado foi que eu deixei o meu cabelo crescer depois daquilo e nunca mais cortei em um cumprimento que fosse ficar desagradável para os olhares alheios, culpando o fato de eu ter um cabelo muito cheio por isso. Os outros achavam feio e eu comecei a achar feio também, vendo que poderia ficar bom em outras pessoas mas não exatamente em mim. Porque, afinal, não havia como eu ficar bem com algo que os outros tinham achado tão terrível na época. Os anos passaram e chegou 2014 que, como no meu primeiro post aqui no blog eu apresentei, foi tomado como um ano de mudanças pela minha pessoa. A primeira coisa que eu fiz foi cortar o cabelo, como se fosse uma espécie de quebra com a expectativa que eu tinha de mim mesma durante todos esses anos de ficar agradando a opinião de todo mundo menos a minha.

E, mesmo com esse pensamento, eu fiquei enrolando para cortar por um bom tempo por conta do medo de que não fosse ficar bom. Eu tinha pego a ideia de uma atriz, do corte que ela estava usando e me assombrava o pensamento de que em mim não fosse ficar bom. Que iria ficar feio e aí demoraria meses até crescer de novo e eu pudesse achar que estava bonito. Pois bem, eu comecei a conversar com alguns amigos sobre isso e alguns me respondiam que havia a possibilidade de ficar feio, sim. Até que um amigo meu me disse com grande simplicidade: Corta. É só cabelo. Se ficar feio, cresce e depois você vê o que vai fazer com isso. E foi então que caiu a ficha de que todo esse medo que eu estava me agarrando era exatamente por conta dessa experiência passada com um monte de gente com quem eu nem me relaciono mais ou faço questão de manter contato. Eu tinha essa apreensão sobre o meu próprio cabelo completamente guiada por um evento que tem anos de distância e que eu achava que não me afetava mais. E por isso havia passado anos cultivando uma fazenda capilar (porque, cá entre nós, ter cabelo longo é cultivar cabelo na cabeça, é um inferno) quando eu nem gostava de ter cabelo longo. Me incomodava, eu deixava preso na maior parte do tempo, nunca estava bom e eu raramente me achava bonita com ele.

Foi então que eu notei que eu estava mantendo a minha aparência naquele padrão para passar mais fácil pela opinião dos “outros”. Para que esse grupo de estranhos ou conhecidos, inomináveis, não me olhasse estranho na rua e visse aquela garota esquisita andando por aí. Eu não estava vivendo e sendo por mim, mas por essa opinião alheia desprezível. E isso só me colocava para baixo diminuindo ainda mais a minha auto-estima enquanto eu me preocupava se as coisas iriam ficar bonitas ou feias e não gostava do que via no espelho.

Resumo da história: Seja quem você quer ser, não quem os outros querem que você seja. E com os outros, na realidade, quero dizer absolutamente todo mundo. Desde parentes (tanto próximos quanto afastados) quanto amigos ou desconhecidos. Quem tem que se achar bonito ou bonita é você, ninguém mais. Seja esquisito se você quiser ser e foda-se o resto.

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