Assiste Orphan Black? Não? Deveria.

orphan black

Se você está procurando um seriado instigante, intrigante, interessante (nossa, ok, in in in), muito bem escrito e com atuações brilhantes, está no lugar certo. Orphan Black com toda certeza é o seriado que você procura. Sua segunda temporada finalizada nesse último sábado deu muito no que falar com seu final, para ser bem sucinta, dramático. Essa palavra não basta para resumir os eventos da season finale e muito menos da segunda temporada inteira que pegou as altas expectativas deixadas por uma primeira temporada impecável e aumentou-as mais ainda, só deixando o espectador mais interessado no que vem a seguir. O cliffhanger do final da temporada foi em um timming perfeito, logo quando as perguntas começavam a surgir sobre o que era esse assunto onde eles estavam entrando logo no último episódio iria dar. Entretanto, o clima de tensão que se liberou neste foi provocado por uma temporada eletrizante que nos respondeu algumas perguntas e só deixou muitas mais para serem respondidas em seguida.

Entretanto, vamos ao que interessa: o que é Orphan Black?

Bom, vamos começar dando um breve resumo da primeira temporada que é, acima de tudo, onde esse texto irá se fixar. Posteriormente talvez faça uma review da segunda temporada da série, mas como estou querendo apresentá-la para novos possíveis espectadores… Não quero estragar toda a emoção, não é? O seriado canadense de ficção científica estrela Tatiana Maslany como Sarah Manning… E Beth Childs… E Alison Hendrix… E Cosima Niehaus. Além de outros personagens que são apresentados posteriormente a trama, Tatiana pega essas quatro logo no primeiro episódio da série que entra no suspense com sua primeira cena. Sarah Manning é a personagem principal, uma jovem mãe que está tentando retornar a sua casa depois de ter se afastado de sua filha e de sua mãe adotiva, Siobhan, que cuidava da filha, Kira. Entretanto, antes de conseguir chegar lá, Sarah acaba dando de frente com um evento bastante traumático: Ela vê uma mulher cometer suicídio na frente de um trem. Como se isso não fosse algo forte o suficiente, aquela mulher desconhecida era exatamente igual a Sarah.

Em choque pela situação e ligeiramente motivada por uma ideia de momento, Manning rouba os pertences da suicida para tentar descobrir mais sobre sua identidade. Ao ver sua foto em documentos está a prova de que ela, Beth Childs, era realmente idêntica à Sarah, mas tendo uma vida e identidade completamente diferentes. Com esse começo marcante, o episódio continua enquanto o espectador fica mais intrigado para saber o que há com essas duas pessoas que são exatamente idênticas enquanto observamos Sarah assumir a personalidade de Beth para tentar descobrir. Ela faz isso com a ajuda de seu irmão adotivo, Felix Dawkins, que é também um dos seus melhores amigos com quem ela cresceu desde criança enquanto os dois eram cuidados por Siobhan Sadler. O começo do episódio é uma demonstração perfeita de como intrigar e prender o espectador sem quebrar a aura de suspense que há na trama. Nós sabemos tão pouco quanto os personagens e é exatamente isso que faz com que fiquemos vidrados na tela querendo a cada segundo do episódio acabar com aquele mistério. Isso se faz tanto pelo roteiro do episódio quanto pela atuação incrível de Tatiana Maslany que nos dá em Sarah uma personagem que podemos adorar observar, querer entender e ainda nos sentirmos conectados a ela.

Dessa maneira ficamos todos conectados ao grande suspense da história sem realmente sabermos do que ela sequer se trata. É uma fórmula fenomenal. Outro ponto positivo dentro da série são os personagens coadjuvantes e, principalmente, Felix. O irmão adotivo de Sarah é a essência humorística do personagem que, com a excelente atuação de Jordan Gavaris, nos dá um personagem com quem rimos junto e não de. Apesar dele ser um ponto de humor, Felix nunca é humilhado em seus maneirismos como homossexual para que acabemos rindo dele. O que acaba sendo engraçado é o jeito como ele consegue pegar as situações e distorcer com o seu senso de oportunidade, seu humor ácido e sua forma sem grande pudor para conversa. Ele, como Sarah, fala o que pensa e tem aquela língua ácida para a resposta, além de sempre saber o que dizer para arrancar um sorriso. Levado para a trama por sua irmã, Felix fica tão curioso quanto obstinado para saber do que essa situação toda se trata e se torna um ponto de evidência dentro da narrativa. Além disso, a química dele com Maslany é algo que é tão forte que faz parecer que eles são irmãos de verdade, tanto dentro quanto fora do set.

Os outros personagens coadjuvantes da série não deixam nada a desejar, além disso. Pegando as já citadas Siobhan e Kira Manning que nem aparecem nos primeiros episódios, ainda temos: Paul Dierden (ou Big Dick Paul, como ele é apelidado por Felix), o namorado de Beth; O detetive Arthur “Art” Bell, parceiro da mesma; Victor “Vic” Schmidt, o ex-namorado de Sarah e traficante de drogas de quem ela está se afastando no começo do episódio. Esses somente no arco da personagem principal, Sarah. Existem diversos outros personagens coadjuvantes, mas como eles são mais relevantes a tramas que chegam durante a temporada, não quero entrar em detalhes sobre os mesmos.

Porém, mesmo com diversos personagens coadjuvantes que ganhem o destaque em cenas ou episódios (principalmente Felix, nesse caso), o seriado é roubado toda vez por Tatiana Maslany. Não somente pelo fato dela estar atuando diversas personagens no show, como foi citado acima – e, sim, eu não vou entrar em detalhes sobre isso, é para atiçar a curiosidade de vocês, queridos -, mas também pela qualidade sublime de sua atuação que consegue nos fazer sentir, interagir e sofrer junto com todas as personagens, como se as conhecêssemos desde sempre. Ela não somente atua como vários personagens que casualmente tem que ser o mesmo rosto para o bom andamento da narrativa, ela é esses vários personagens em sua essência. Todos eles tem personalidades, maneirismos, sotaques e formas de falar completamente diferentes uns dos outros. Por vezes o expectador inclusive se pega esquecendo que é a mesma atriz naqueles personagens diante de suas diferenças tão marcantes que vão além da aparência (cortes de cabelo diferentes, jeitos de se vestir diferentes, etc), mas até na maneira de andar, falar e dançar.

Um dos trunfos do seriado para se diferenciar de outros do mesmo nicho é, talvez, o fato de todos os personagens do seriado serem extremamente humanos. Eles não são de ferro e não deixam de sofrer pelas coisas que lhes acontecem. Muitas vezes, apesar do enredo extremamente “viajante” suas dores são bem reais e cabíveis com o dia-a-dia, mas sem perderem o foco de que é uma trama de conspirações se ficção científica. O seriado mantém o pé no chão na formação dos personagens, mas a trama se afasta bastante desse chão do realismo para nos inserir em uma realidade onde muitas coisas que não aconteceriam nos dias comuns acontecem. O valor desse realismo vem à medida em que os personagens agem como pessoas reais iriam: chocados, nervosos, ansiosos e sem saber o que fazer diante daquilo. A trama parece possível dentro do nosso mundo real por conta dessas reações e por conta das conexões que as vezes somos obrigados a fazer indiretamente – entenderão isso quando chegarem a introdução da Dyad, uma empresa multinacional que não vê limites à sua expansão… Parece familiar já? Enfim, o ponto que eu queria fazer nesse quesito é de que são várias pessoas reais que nós sentimos como reais navegando por um mundo que nem elas poderiam imaginar que existe.

Para terminar, o seriado também se destaca pelo fator óbvio: o roteiro. Sendo escrito de uma maneira incrível, é uma das séries com menos furos que eu já consegui assistir. Os roteiristas parecem saber exatamente o que eles querem com cada fala dos personagens e com cada passo que eles dão, sem deixar praticamente nada passar ou sendo esquecido. Há, como sempre, uma coisa ou outra que acabam ficando de lado, normal. Entretanto, são fatores menores diante da excelência que vem da escrita. Porém, um ponto mais importante é – sinto que estou batendo na mesma tecla aqui, mas irei persistir – a incrível variedade de personagens femininas. Tanto as que são magistralmente performadas por Tatiana Maslany quanto as que tem outras atrizes atuando. Todas elas são diferentes entre si, tanto nos moldes de personalidades tanto nas nuances. Elas tem gostos diferentes, jeitos diferentes, opiniões diferentes, opções sexuais diferentes e, acima de tudo, fogem de maneira sublime dos estereótipos que vemos tanto na televisão hoje em dia. Se alguém além de mim está cansada de seriados repletos de mulheres padronizadas criadas a partir de uma folha do que é um ser humano, esse é o seriado que deveriam estar só assistindo.

Ao final dos dez episódios, com o fôlego devidamente retomado depois da corrida que é assistir a eles todos, é possível sentir a nostalgia dos tempos em que você estava apenas começando a entrada no Clone Club e que poderia ter a sensação de satisfação de ter encontrado uma peça de televisão de qualidade no meio de tanta porcaria.

Anúncios

Um comentário em “Assiste Orphan Black? Não? Deveria.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s