Direitos vs. Opiniões

direito de escolha

Faz algumas semanas que eu venho querendo escrever esse texto, mas não sabia exatamente por onde começar. A ideia veio depois que eu acabei vendo na timeline do facebook de um membro da minha família uma discussão sobre o assunto polêmico do aborto. Opiniões a favor e opiniões contra se repetiam nos argumentos, todos já bastante desgastados pela discussão. São sempre os mesmos argumentos, qualquer um que já tenha entrado nessa discussão pode enunciá-los com facilidade. Entretanto, lendo essa discussão eu cheguei a conclusão de que o que as pessoas que são contra o aborto não conseguem entender que isso não tem nada a ver com eles. É algo completamente inerente a todos os que argumentam contra, pois a questão é bem simples, como está expresso na imagem. Se você não é a favor do aborto? Não faça um aborto. Entretanto, o fato de você e um grupo não serem a favor não deveriam impedir pessoas que podem ser favorecidas pela legalização desse ato o façam. Porque, afinal, é a sua opinião.

O texto de hoje é sobre isso, opinião e os direitos dos outros. Eu acredito que, acima de tudo, as pessoas tem que ter o direito de fazer o que quiserem com os seus corpos, desde que não acabe machucando ninguém que não tem nada a ver com isso. E, voltando ao aborto por um momento, não me entenda mal: Um feto não é alguém, um feto é um feto. É um amontoado de células, é um vir-a-ser. Alguém é aquela pessoa que vai sofrer com essa gravidez, alguém é aquela pessoa que vai sofrer para parir esse feto quando ele virar um bebê, alguém é a pessoa que vai ter que lidar com uma gravidez indesejada. O corpo é seu, a opção deveria ser sua. Esse pensamento basicamente resolve uma grande parte de problemas éticos atuais que não são tão éticos assim e sim religiosos. Isso engloba o casamento gay, o aborto, da eutanásia, do sexo, de todas essas polêmicas que parecem coisas intocáveis na opinião pública.

Aliás, isso faz com que todas elas sejam vistas de uma forma negativa. O casamento gay é visto pela opinião pública desfavorável como a quebra da santidade do casamento, para se dizer o mínimo. Tanto o aborto quanto a eutanásia são vistos como assassinato. E o sexo fora de uma relação ou o conhecido sexo casual é visto como vadiagem. Nenhuma das quatro coisas é a mesma e nenhuma das quatro coisas é desse jeito. O casamento homossexual é, como qualquer casamento, um gesto de amor entre duas pessoas. O aborto é o fato de uma mulher decidir que não quer ter um filho por qualquer motivo que ela queira e, então, ela decide tirar o feto – que não é uma criança, é um feto – antes dele se desenvolver propriamente dentro do seu útero. A eutanásia é uma pessoa em uma doença terminal, sem chances de recuperação, decidir que não quer continuar sofrendo com aquela doença e tomar uma decisão sobre a sua própria vida. E o sexo casual é o sexo casual, duas pessoas que decidiram fazer sexo porque querem, quando querem e onde querem. Nenhum dos quatro é algo ruim, são só coisas que a opinião pública (muitas vezes motivada por argumentos religiosos) vê como errado. E eu não estou comparando e dizendo que os quatro são a mesma coisa, só utilizando-os como exemplos nesse espectro.

Pois bem, tudo se simplifica em fazer uma pergunta para si mesmo: Isso fere o seu direito de algum jeito?

Não, o seu direito de “não ver” está negado nesse caso. Você tem pescoço, pálpebras e direito de ir e vir. Se não gosta do que está vendo, se retire do recinto, feche os olhos, mexa a cabeça. Já ouviu aquele ditado “os incomodados que se mudem”? Pois bem, ele não se aplica somente para quando os outros estão sendo incomodados por você, mas também para quando você que está sendo incomodado pelos outros.

Seguindo o argumento, então. Duas pessoas do mesmo sexo se casarem fere o seu direito heterossexual de se casar? Não. Você, caro leitor, continua tendo os mesmos direitos de antes. A santidade do casamento já foi massacrada pelo divórcio e é um conceito religioso, o que não deveria inferir em assuntos do estado. O fato de você achar que é uma abominação é um conceito opinativo relevante a sua opinião e não deveria inferir no direito dos outros. O fato de você não aprovar a união deles é a sua opinião e não deveria ser relevante para o direito das outras pessoas. O fato de você não considerar que homossexuais compõem casais normais é a sua opinião e não deveria ser relevante para o direito de outras pessoas se casarem ou não. A única coisa que poderia ferir o seu direito dentro do assunto casamento gay é se você fosse obrigado a se casar com um homossexual não sendo homossexual e isso é crime até para casamentos heterossexuais. Então: Se você é contra o casamento homossexual, não tenha um casamento homossexual!

Entende como isso funciona? A mesma coisa acontece com o direito de qualquer ser humano – e, não, fetos não são seres humanos – que merece ser respeitado como um ser humano.

Dessa maneira, finalizo o texto deixando esse vídeo abaixo para assistirem. Infelizmente ele é em inglês e sem legendas, além da moça falar bem rápido. Porém, é bem interessante.

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