The Leftovers: O que raios…?

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The Leftovers é a mais nova série da HBO que teve sua estreia marcada por um episódio bastante diferente do que estamos acostumados a ver em séries desse tipo. Baseada em um livro (que eu não li, então não falarei sobre) homônimo, a série conta a história de um grupo de cidadãos de Mapleton, uma pequena cidade no estado de New York, três anos depois de um acontecimento que marcou a vida de todos… Eu não sei realmente como explicar o que aconteceu nesse dia 14 de Outubro porque a série não nos explicou realmente o que aconteceu, mas, sem muitas delongas, em um estalar de dedos 2% da população mundial simplesmente desapareceu. Bem assim, em um estalar de dedos. Tendo em vista esse fato, a série nos mostra como os personagens organizaram suas vidas nesses três anos.

Entretanto, a pergunta do o que aconteceu fica perdida dentro de um episódio piloto bastante interessante e diferente do que se vê em outros do gênero exatamente por esse ponto. No nicho de seriados pós-apocalípticos geralmente a pergunta do o que? e do como? são as mais importantes e que guiam a trama da série. Descobrir o resultado do mistério, o motivo que levou àquele acontecimento e como revertê-lo para que as coisas voltem ao normal é o grande motivador dos personagens e a chama que guia o seriado episódio após episódio. The Leftovers parece seguir uma premissa completamente diferente. Ele parte do ponto de que o que aconteceu não interessa, ninguém precisa saber porquê aquelas pessoas desapareceram e muito menos como. Elas não vão voltar. A série nos guia pela vida daqueles que ficaram e que tiveram que se remontar depois desse 14 de Outubro fatídico.

Apesar disso ser uma grande frustração para quem pegará esse episódio esperando um thriller de suspense e por respostas, é algo que me deixou verdadeiramente curiosa para ver como a série irá seguir. Eu gosto bastante de análise de personagens. Gosto de ocasiões que colocam os personagens em um ponto limite para ver o que eles vão fazer. Gosto muito mais de tramas que são centradas nas ações dos personagens do que em uma mão invisível que os move e guia diante de um objetivo. Talvez seja isso que tenha me feito decidir escrever esse pequeno comentário (um dia atrasado) sobre a série sem nem ter visto o segundo episódio ainda. Para quem foi atrás de The Leftovers procurando algo como Lost, é melhor já desistir pois não parece que a série irá seguir esse rumo. (E que bom que não irá, pois se fosse para terminar do mesmo jeito era melhor nem ter começado.)

Inclusive, algo que chama bastante atenção no piloto é que apesar do desaparecimento ser o ponto chave da trama, ele mal foca nisso. Quem são esses 2% de pessoas desaparecidas? Temos alguns momentos em que podemos ouvir informações sobre eles na televisão – quando como vemos que o Ex-Papa Bento XVI foi um dos desaparecidos, assim como a cantora Jennifer Lopez -, mas não há nenhuma informação concreta sendo dada pelos personagens da série. Eles estão mais ocupados com outros eventos e com suas vidas pessoais que tem que continuar em frente depois do acontecido. Afinal, todos tem que continuar vivendo mesmo com aquele desaparecimento, todos tem que continuar respirando e lidando com o que a vida joga sobre si.

Há diversas coisas acontecendo nesse episódio piloto que, por eles, são tratadas como comuns e para nós soam bastante estranhas. Primeiramente há a Parada do Dia dos Heróis, que é um desfile pela cidade durante um feriado nacional decretado no 14 de Outubro, que está sendo organizada e acontece durante o episódio. Depois há os Guilty Remnant, que são um grupo de pessoas que decidem se isolar da sociedade, somente usar branco, começar a virar fumantes e viver uma vida completamente fora do comum. Ah, também há o pequeno fato de que eles pegam um voto de silêncio. Por que? Não sabemos. Há a questão dos cachorros, também, onde a série conta que alguns fugiram durante o evento do desaparecimento e voltaram aos seus instintos animais. Além de outras tramas tão confusas quanto, nesse primeiro episódio.

Tudo fica em mistério, como uma maneira de prender o espectador pela pergunta de o que está acontecendo? ao invés de o que aconteceu?. E, mais incrivelmente ainda, isso só me deixa com mais vontade de ver o segundo.

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