Responsabilidades e Viajar Sozinha

Viajar sozinha é algo estranho.

Ontem foi a primeira vez que eu viajei sozinha na minha vida e essa foi a minha principal reflexão sobre o evento. É estranho. Muito interessante, muito legal, muito instrutivo, mas, acima de tudo, estranho. Há uma sensação de confusão no ar de pensar que se está sozinha durante todo aquele caminho, que se houver algum problema não irá ter ninguém para te socorrer. É a sensação estranha de estar recebendo responsabilidade que você nunca recebeu antes de uma vez só. Como se fosse uma grande cachoeira de coisas importantes para se pensar em ao mesmo tempo, uma cachoeira da deveres.

Entretanto, mesmo com todo esse peso e a preocupação, viajar sozinha vai ser algo que vai entrar para a história. Primeiro porque fazia alguns bons anos que eu queria fazer isso, que eu insistia para que me deixassem ir e torcia para que decidissem me dar a opção de aniversário. Era algo que eu sempre quis fazer, principalmente por eu sempre ter tido amigos que moram fora do Rio de Janeiro, principalmente em São Paulo e Belo Horizonte – onde estou. Mas mesmo eu tendo onde ficar, tendo quem visitar, sabendo para onde eu queria ir… Demorou. Não vou dizer que entendo os motivos porque nunca entendi, só demorou.

Então quando eu passei pelas portas da área de embarque e me vi completamente sozinha a única sensação que eu pude ter foi estar verdadeiramente feliz. Por mim, por conta de todo o tempo que eu tinha ansiado por essa experiência e pelas coisas que eu já estava planejando que iriam acontecer posteriormente, quando chegasse a Minas Gerais. Afinal, não iria somente pegar um avião para viajar sozinha, mas um ônibus logo em seguida, uma vez que o aeroporto de Belo Horizonte não fica em Belo Horizonte – algo bem incompreensível para mim, mas vamos deixar de lado.

Estava uma hora e meia adiantada e eu culpo a animação por me ver lidando com isso por isso. Eu acordei tão cedo quanto possível para embarcar, fui tomar café tão cedo quanto possível e fiz tudo o mais rápido possível. Quando sentei na área de embarque, então, me vi livre pela primeira vez. Verdadeiramente livre. Não foi uma experiência dessas em que eu me vejo perdida, foi uma sensação de liberdade e independência que eu vinha esperando faz anos. Como se fosse uma verdadeira valorização do que eu vinha fazendo e me transformando faz anos e anos.

Alguns problemas no caminho aconteceram, claro, como era esperado. O raio x deixou todos os meus aparelhos com as telas rosadas e eu entrei em desespero completo por achar que havia quebrado tudo, tive a certeza de que iria perder o meu voo se não ficasse ao lado do meu portão de embarque e ainda houve o pequeno terror de ficar me perguntando sobre a pessoa que se sentaria ao meu lado. Não sou exatamente tranquila sobre tudo e não iria gostar de passar cinquenta minutos com um estranho desagradável ao meu lado.

As preocupações vieram e passaram a medida que eu vinha a aproveitar a viagem, desde a decolagem até a aterrissagem, mesmo com a dor nos ouvidos e a confusão do avião. Um fator positivo da minha viagem, definitivamente, foi estar viajando de Azul. E tenha certeza que isso não é merchandising, eu realmente gostei. O serviço deles foi rápido e eficiente, além de impecável. Apesar de ser mais uma daquelas companhias que não acham importantes que aja espaço para as pernas entre as cadeiras, eles fazem algo que algumas das outras deixaram de fazer: servem comida no voo sem ficar de mimimi sobre isso. E se tem algo que me deixa imensamente feliz é comida.

Chegando em Confins (no aeroporto) peguei a minha mala bem maior do que eu realmente precisaria para a viagem de sete dias – mas ainda muito eficiente em ter absolutamente tudo que eu poderia imaginar precisar durante esses sete dias – e fui atrás de um ônibus para fazer a viagem de Confins para Belo Horizonte. Informada com facilidade pelo guichê de informações do aeroporto, fui ao guichê de ônibus e comprei a passagem por um preço mais barato do que um frescão no Rio de Janeiro, diga-se de passagem.

Mais uma vez a sensação de nervoso. Perguntei as indicações para a mulher do guichê do ônibus de onde eu pegaria e ao chegar lá, tinham mais ônibus do que eu poderia esperar. Qual era o que eu pegava? E se eu pegasse o ônibus errado? E se eu fosse para o lugar errado? Engoli em seco e fui em frente, porque não tinha como e não iria valer a pena desistir. Se eu pegasse o ônibus errado, então iria ter que me virar depois. Se eu fosse para o lugar errado, teria que me achar. Não havia opção diferente disso. Tomei um soco de realidade e de coragem ao entender que estar sozinha significava isso: não depender de outra pessoa para te dizer o que fazer. Você mesmo tem que fazer isso.

Entrei no ônibus e minutos depois estava na estrada. A viagem foi rápida, sem trânsito e sem problemas. Estava sentada na última cadeira do ônibus – literalmente – com a cadeira vaga ao meu lado onde pude colocar minha bagagem e observar a paisagem sem problemas. A estrada era limpa e reta, fácil de seguir, até que chegaram um monte de curvas que eu realmente não vi de onde vieram. Então tinha que me segurar por conta da sensação de que iria cair pela janela. Deu tudo certo, não caí. Pequenas vitórias do dia a dia.

Cheguei na rodoviária e encontrei minha amiga, Isabela Castro, pronta para dar mais um passo na viagem diante de ir para a casa dela e ficar como hóspede e responsável de mim mesma. A moral desse post, afinal, é sobre novas experiências. Há coisas que você pode sempre querer na sua vida, mas que não vão valer tanto a pena quando finalmente as ganha. Mas há coisas que quando você as consegue realizar, depois de luta e de tentativas e de muita conversa, que valem cada centavo e cada tempo perdido. Basta decidir como irá gastar esse seu grande desejo e esperança de alguma coisa positiva. Apesar desse post ter ficado bem regular (principalmente pela falta de tempo, já que estou atrasada para um evento social), era o que eu queria passar.

Viajar sozinha é estranho. E bom. E gratificante. E maravilhoso. Principalmente quando se vai para um lugar que te faz sentir cada vez melhor a cada momento que passa.

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2 comentários em “Responsabilidades e Viajar Sozinha

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