Guardiões da Galáxia e dos Anos 80

guardiões da galáxia

Depois de um longo inverno sem postagens, estou de volta ao Rio de Janeiro e com tempo para continuar o blog. E para começar essa nova fase (mais informações virão na postagem de sábado sobre porquê é uma “nova fase”) vamos falar do filme que todo mundo está falando: Guardiões da Galáxia. Eu adorei o filme. Não achei o melhor filme da Marvel que já saiu e não exatamente gostei tanto quanto o tumblr ou alguns amigos meus gostaram, mas só tenho elogios para fazer a eles.

Eu não sou uma leitora de quadrinhos. Então, como muitos outros, desconhecia completamente do que se tratava esse filme quando saíram as primeiras notícias dele. Eu só comecei a ficar realmente interessada nele depois que alguns atores que eu gosto foram contratados – mais especificamente, a Karen Gillan, Zoë Saldana e o Chris Pratt – e não procurei me informar muito mais sobre o tema do filme. Não por desinteresse, mas porque eu queria vê-lo no cinema sem ter uma opinião formada ou coisas que eu estivesse esperando para o mesmo. E essa foi a primeira vez que eu entendi porque existem tantas pessoas que eu conheço que não gostam nem de ver trailers de filmes. É uma sensação completamente nova quado você entra em um filme que não sabe praticamente nada sobre, de mergulhar completamente nele.

E o primeiro ponto que eu tenho que acentuar, quase uma obrigação, é que o que mais me chamou a atenção no filme inteiro foi o visual e o fato de que eles conseguiram fazer um “universo” completamente novo não soar tão estranho para o espectador. É um filme de ficção científica feito do jeito como um filme de ficção científica deveria ser feito. De forma a imergir o espectador na história sem deixá-lo questionando sobre coisas triviais como onde esse planeta fica na galáxia ou que raça é essa. Não, o filme trata como se aquilo tudo fosse normal sem ter que ficar explicando absolutamente tudo, algo que muitos fazem e deixa a experiência chata. Ao mesmo tempo, quando alguma coisa precisa ser explicada para que o espectador entenda o que está acontecendo, o filme também não falha.

Fazia uns bons anos que eu não via um filme ou uma série de ficção científica que me imergia tanto em um universo completamente novo – e olha que eu vejo Doctor Who! – como Guardiões fez. Diferente do que vem acontecendo em Who nas últimas temporadas, o filme não tem medo de levar o espectador para um lugar que ele não conhece por achar que ele não vai entender ou gostar da história. E tem menos medo ainda de nos guiar utilizando um personagem humano, como o seriado costumava fazer com as companions nas primeiras temporadas, algo que mudou drasticamente com a mudança de showrunner. Mas isso é assunto para outro texto.

Cahem.

O que eu quero dizer com isso é que o personagem do Starlord é, por muitas vezes, o nosso guia na história. Algo que em outros momentos fica por conta da personagem da Gamorra ou do Rocky Racoon que fazem as perguntas que queremos respostas para, mas geralmente é o Starlord. Por que? Porque é comum que nós nos identifiquemos mais com o personagem humano em filmes de ficção científica e seja mais fácil acreditar nele como uma forma confiável de informação do que em outros personagens alienígenas. Por isso que é tão comum personagem um personagem humanizado estar guiando a história, para que os espectadores possam se sentir conectados com a história e em sincronia com o que acontece na tela.

Outro ponto forte do filme é o quesito visual que trás tanto o Rocket Racoon e o Groot quanto os cenários estonteantes e outras criaturas a vida nas telas. Um ponto muito importante na ficção científica hoje em dia são os efeitos visuais. Em uma época onde blockbusters como Transformers faturam milhões em bilheteria sem nem ter um roteiro com um mínimo de decência ou atuações ligeiramente passáveis, nota-se com facilidade que os efeitos visuais são o mais visado pelos espectadores atualmente. E Guardiões além de nos mostrar efeitos impecáveis e um visual estonteante também nos dá um roteiro com uma história de impressionar e deixar os olhos colados na tela, personagens extremamente bem baseados e atuados e ainda nos diverte. Esse que deveria ser o significado de entretenimento: uma diversão com qualidade no texto e que te deixa saindo do cinema com a sensação que não foi tempo gasto.

Em quesito de personagens, Guardiões definitivamente não deixa a desejar. Sendo com o personagem principal, Peter “Starlord” Quill que nos diverte ao mesmo tempo que guia a trama com diversas tiradas interessantes e divertidas e referências a filmes (Footloose! Kevin Bacon! Nossa!) e músicas da época em que ele sumiu na terra, ou os coadjuvantes, o filme nos dá uma variedade incrível de personalidades. Gamorra e Nebula são, claramente, os destaques nisso. As duas filhas adotivas de Thanos estão uma de cada lado da equação: enquanto Nebula está do lado do vilão da história, Gamorra está tentando impedir que ele realize o seu desejo. As duas só estão de acordo com uma coisa: querem ver Thanos derrotado. É muito interessante ver os (poucos) diálogos entre as duas personagens porque a sintonia e a dualidade delas é algo lindo de se ver. Elas são duas faces da mesma moeda e mesmo com o pouco tempo em tela de Nebula é possível ver como elas se sentem conectadas e a parte.

Outros personagens de destaque foram o Rocket Racoon e o Groot, companheiros durante a vida e grandes amigos, pelo que deu a entender. As cenas com o Groot, em especial, geralmente eram as minhas favoritas, tanto que ele se tornou um dos meus personagens preferidos do filme. Achei incrível como ele não precisava ser entendido para que Rocket o entendesse, o que mostrava bem a conexão dos dois e deixava um elemento de questionamento para o espectador sobre o que ele teria falado, algo interessante em uma ficção científica espacial, sempre deixar o espectador intrigado.

Ainda há, claro, o ponto da trilha sonora maravilhosa escolhida para manter no filme da ideia de que a influência dos anos 80 está sempre presente. Afinal, fora a única época em que Starlord viveu na terra, então faz bastante sentido que ele só tenha essas influências do planeta. Toda a conexão dele com a fita que a mãe deu e com o presente são passadas por meio da trilha sonora que deixa o filme ainda mais divertido de assistir, uma vez que são músicas que conhecemos e podemos até cantar junto – em futuras sessões fora do cinema, claro, não vamos atrapalhar os amiguinhos.

O meu único problema com o filme é que eu achei ele rápido demais. Houve momentos em que eu fiquei com o gosto de preciso de mais na boca e, especialmente no final, parecia que ele tinha que correr com a história para terminar a tempo. Talvez se eles tivessem tido mais uma meia hora de filme para preencher, esse espaçamento poderia ter sido melhor feito. Acredito que ninguém reclamaria.

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