A Frustração Anual: The Primetime Emmy Awards

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Assistir os Emmys todos os anos é um passatempo quase frustrante para mim e é algo que, de certa forma, me deixa extremamente incomodada com os rumos da televisão nesses últimos anos. É estranho falar em “televisão” quando me refiro aos programas americanos e ao mercado americano como a televisão quando estamos no Brasil, mas é uma dura realidade. De qualquer maneira, voltando aos Emmy’s. A frustração de assistir o show todos os anos é que ao vê-lo você tem a impressão de que está vendo a mesma coisa acontecer de novo. São praticamente os mesmos indicados e por pouquíssimas exceções, os mesmos vencedores. Faz anos que algumas séries específicas ganham o Emmy todo ano mesmo que existam muitas coisas melhores surgindo, elas não são reconhecidas.

É decepcionante, principalmente para alguém que gosta de seriados.

Ver que Orphan Black e que Hannibal, por exemplo, não foram nem sequer indicados para nenhuma das categorias é algo que me enerva no fundo da minha alma. Saber que temos a Tatiana Maslany interpretando mais de quatro papeis por episódio com perfeição e vê-la não ser indicada como melhor atriz é um insulto a capacidade de qualquer um de ver televisão. Assistir Hannibal entendendo que aquilo tem um dos roteiros mais geniais da televisão americana e uma direção de arte ainda mais genial e ver que a série não chegou nem perto de ser indicada é uma ofensa, basicamente. Isso para não falar de Community que sofreu dois tapas na cara esse ano: seu cancelamento e o não recebimento de nenhuma indicação ao Emmy quando teve sua melhor temporada. Isso enquanto até a pior temporada de Community tem mais qualidade do que a melhor de The Big Bang Theory, imagina a melhor.

É decepcionante ver o Jim Parsons ganhar como Melhor Ator de Comédia pelo quarto ano por uma série que não é nem perto de qualidade televisiva (principalmente hoje em dia) e por um personagem que em tantos anos de temporadas não teve uma centelha de desenvolvimento. Sheldon Cooper é um personagem fechado no seu próprio universo, com uma personalidade fixa e com piadas ainda mais fixas naquele mesmo estereótipo que foi acordado roteiristicamente com o espectador nos primeiros episódios da série. Ele fala alguma coisa grosseira ou age de maneira rude e vocês riem, espectadores. Eventualmente chegou ao principal momento do emburrecimento do humor da série, quando ela simplesmente se transformar em bazinga seguida de risos.

Ainda mais decepcionante é ver Modern Family ganhar o Emmy de Melhor Comédia pelo quinto ano consecutivo. Não porque Modern Family seja ruim, longe de mim dizer isso, mas pelo simples fato de que tem muita coisa melhor sendo feita por aí. Orange Is The New Black é muito melhor do que Modern Family, assim como Veep, Sillicon Valley e Louie, se formos falar somente de séries que receberam indicações. Se pegarmos algumas que não receberam, novamente temos Community com a sua melhor temporada até agora tendo sido exibida no semestre passado e ainda a vencedora do Globo de Ouro, Brooklyn Nine-Nine que, por algum motivo além da minha compreensão, não foi nem indicada nessa categoria. Ainda para nem citar Parks & Recreation e The Mindy Project – que, inclusive, teve sua atriz principal lendo as indicações para o prêmio onde ela nem foi indicada -, duas séries com personagens femininas incríveis e com tramas maravilhosas e um humor incontestável que parecem ser ignoradas pela academia.

E apesar de eu realmente concordar que Breaking Bad fez qualidade o suficiente para ganhar os prêmios que ganhou, é muito frustrante ver Melhor Ator de Drama indo para o Bryan Cranston quando o Matthew McConaughey está competindo na mesma categoria por True Detective que com seus 8 episódios conseguiu desenvolver uma série envolvente que toda semana te dava uma sensação de completa devoção àquela história. Ou pelo fato do Kevin Spacey estar competindo por essa categoria por House of Cards que é uma das melhores séries políticas passando atualmente, que trata de um tema dificílimo com realismo e sem emburrecer o seu espectador, sem ter medo de usar jargões da área ou de explicar política para quem está assistindo com sua fala apressada e roteiro voraz. E, mesmo assim, o vencedor do ano anterior levou o Emmy novamente.

Há várias outras reclamações a se fazer sobre esse prêmio, principalmente por ele ser o principal prêmio da televisão americana – a televisão, em termos gerais -, mas um resumo de todos eles é o fato de que as pessoas que votam ou estão com as cabeças enfiadas nos próprios umbigos ou se recusam a se atualizar de maneira forçada, tampando os olhos.

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