Comédias & eu – Capítulo 1: Community

Eu tenho um problema com comédias. O grande problema é que eu sou muito chata para elas. Humor é uma coisa difícil de me pegar pelo cangote e me deixar interessada no que eu estou assistindo, principalmente porque eu sinto que estou vendo sempre a mesma coisa. Parece que tudo dentro de comédia é uma ligeira releitura de Friends, atualmente. Dentro da comédia mainstream da televisão, ao menos. São sempre um grupo de grandes amigos que ou vivem juntos ou vão ao mesmo lugar juntos e as suas vidas são ligadas por uma conexão que faz com que eles fiquem juntos o tempo todo. Além disso, as risadinhas no fundo sempre parecem achar algumas coisas muito engraçadas.

Esse tipo de humor não me pega desde Friends. As 10 temporadas desse seriado já foram o suficiente para mim, saturei completamente. Desse jeito, não consigo gostar de The Big Bang Theory (também por outros motivos além desse, que se resumem no fato de TBBT ser uma bosta) ou de How I Met Your Mother, que são (ou foram) grandes favoritas do público televisivo de comédias. O que me faz gostar de uma comédia é quando ela tem um humor que consegue me atrair e esse humor, geralmente, precisa ter alguma coisa de diferente do mainstream. Não tentando soar como a chata do rolê, mas já soando: Eu não gosto de comédia que faz a mesma coisa que toda comédia sempre fez. Gosto de novidade.

Nisso, eu queria aproveitar esse post para falar de algumas séries de comédia que eu acho incríveis. Gostaria de deixar o aviso desde o começo que o meu objetivo não é dizer o que é bom ou o que é ruim (tirando quando eu falo de TBBT, porque essa série é realmente ruim e eu tive que ver para provar na minha monografia [sim, eu estou escrevendo a minha monografia sobre como TBBT é ruim]). Não estou aqui para apontar para o gosto dos outros e dizer HAHAHHAHAA QUE MERDA DE GOSTO, MANO. De jeito nenhum, eu só quero mostrar o que eu gosto e dar elogios que, as vezes, vão acabar soando um pouco ofensivos a outros seriados (principalmente TBBT).

A primeira comédia apresentada não poderia ser outra além da queridinha do meu coração: Community. A série é o meu bebê e eu tento indicar ela para todo mundo que eu posso, apesar de não ter muito sucesso. Community conta a história de sete estranhos que se juntam em um grupo de estudos para a aula de espanhol que eles tem em uma faculdade comunitária, Greendale Community College. Esses desconhecidos que logo se tornam amigos são Jeff Winger (Joel McHale), Britta Perry (Gillian Jacobs), Abed Nadir (Dany Pudi), Troy Barnes (Donald Glover [também conhecido como o rapper Childish Gambino]), Pierce Hawthorne (Chevy Chase), Shirney Bennett (Yvette Nicole Brown) e Annie Edison (Alison Brie).

Entretanto, a beleza da série não está nessa premissa simples que, assim como citei no meu parágrafo de introdução, parece ser uma releitura (mais uma) de Friends. São sete amigos que estão sempre no mesmo ambiente e que, por isso, estão juntos o tempo todo. Mas a beleza de Community está exatamente na sua capacidade de quebrar esses tropes e os estereótipos dos personagens durante a série. Todo episódio é uma leitura diferente, todo episódio é uma aventura diferente. Community, acima de tudo, é uma série de paródia. O objetivo dela é fazer uma releitura dos diferentes estilos e dos diferentes formados que a televisão nos apresenta. Por isso mesmo que Community captou tanto o meu coração, porque ela consegue me dar sete personagens que eu amo em diversos cenários. Ela faz um esforço no humor metalinguístico e, acima de tudo, em manter as referências em um nível estratosférico.

Community já fez, por exemplo, um episódio inteiro no formato 16-bit, onde os personagens vão para dentro de um videogame (Digital Estate Planning). Depois desse episódio, os próprios fãs criaram um videogame baseado nele, onde você pode jogar com um dos personagens e passar pelas mesmas fases que vemos no episódio. Eu não sei se ele está completo, mas há o link no vídeo citado. Também há episódios baseados em western (A Fistful of Paintballs & For a Few Paintballs More) onde os personagens estão jogando paintball na escola (pela segunda vez, Modern Warfare). Outros episódios famosos de Community são o de Dungeons & Dragons (Advanced Dungeons & Dragons); o musical (Regional Holiday Music) que inclusive aproveita bastante o fato deles terem um rapper de verdade no elenco; o episódio de documentário de guerra sobre uma luta entre travesseiros e lençóis (Pillows and Blankets). Também há episódios de máfia, documentário, procedural, tem um episódio inteiro baseado no estilo do David Fincher, um episódio onde há diferentes universos alternativos, episódios de animação, episódios de mupets, etc.

A série gosta de brincar com esses clichês e com a metalinguagem, eles gostam de fazer esse diálogo entre os vários tipos de diálogos dentro da televisão e vários tipos de estilos. E isso é incrível para uma série de vinte minutos da NBC – que atualmente está no streaming do Yahoo e com um cast de personagens principais diferentes do citado. A série passou por várias dificuldades, principalmente por ser uma série difícil para o público geral. Como ela muitas vezes fala uma linguagem diferente do que o esperado para esse tipo de seriado, então o público em geral não gosta. Community sofreu por muito tempo com as audiências baixas, enquanto passava na NBC.

O showrunner da série chegou a ser demitido por uma temporada – a quarta temporada – que depois que ele voltou – na quinta temporada – começou a ser referida pelos personagens como “the gasleak year” (o ano do vazamento de gás). Isso é uma brincadeira com a própria série. Na quarta temporada os personagens estavam tão fora das suas personalidades padrões que eles pareciam outras pessoas. Então quando a série volta para a sua quinta temporada, os personagens brincam que eles estavam todos afetados por um vazamento de gás.

A capacidade de Community de brincar com os gêneros, brincar com os seus personagens, brincar com toda a sua própria história e com a própria história da televisão é o que faz ela ser divertida para mim. Os seus personagens tem grande parte nisso, claro. Mas o jeito como Community trata a televisão, a reverência que há em ver a televisão não como um clichê atrás do outro, mas como algo que faz com que eles tenham que inovar episódio atrás de episódio é o que faz esse seriado ser não só importante como vital para a história da comédia na televisão. É um seriado que não só me agrada como me deixar orgulhosa de assistir e de ser parte de um fandom, os Human Beings, que a mantém passando até hoje.

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