Tudo / Nada

abusivo

Você me pergunta o que eu quero e eu hesito em responder. Eu sabia a resposta que eu queria dar, mas não sabia se deveria dá-la. Não sabia se tinha forças ainda para distribuir isso para ti, que já tinha tirado tanto de mim. Não sem dar de volta, claro, mas esse é o problema. Nunca é o suficiente. Nunca é o bastante. Não desse jeito, não conosco nesses lugares, não comigo aqui. Não comigo em escanteio.

Eu não me sinto bem, não me sinto feliz, não me sinto algo. Nós já discutimos isso antes, você já deu seu jeito nisso tudo. Mas a cicatriz da facada persiste. Cicatriz de algo que pode ou não ser uma verdade, de algo que deve ou não ser algo vigente. Cicatriz que eu não consigo apagar, mesmo tentando. Mesmo com você tentando. Mas nunca era o bastante, de um jeito ou de outro.

Antes era tudo fácil. Antes era só você dizer que eu acreditava. Afinal, por que você mentiria para mim? Afinal, depois de tanto tempo, de tanta louça suja, de tanta coisa que foi dita, porque precisaria dessa artimanha? Não que eu ache que minta para mim… O problema é que eu não consigo me impedir de ter aquele bichinho de desconfiança. Então quando você pergunta o que eu quero, sem saber a resposta, todas essas minhas inseguranças vêm à tona. Fico com todas elas nas mãos, sem saber o que fazer com tudo isso, com uma aberração de sentimentos que vem e ficam atolados na garganta.

Sem saber o que eu posso dizer ou não.

O que eu devo dizer ou não.

Isso tudo enquanto eu somente quero dizer tudo e nada, ao mesmo tempo. Enquanto eu quero abrir meu coração para você de novo, sem ter esse medo e esse pé atrás que eu venho tendo. Porém, ao mesmo tempo, não quero. Não sei. Não sei… Então a confusão dessa pergunta tão simples me engloba muito além de um “devo dizer ou não”. Ela vira uma pergunta quase existencial, como se todo meu ser dependesse dela. A pergunta me consome, ela me persegue. Ela me cria e destrói.

Às vezes eu brinco dizendo que sou uma pessoa muito misteriosa, que eu tenho muitos mistérios. É tudo piada. Sempre fui um livro aberto para você, sempre bastou você perguntar para eu responder. Mesmo as coisas mais bastardas, mesmo as coisas que mais me doíam dizer. Depois que eu abri a boca para o primeiro eu te amo não consegui mais fechá-la para nada. Como se tivesse quebrado a comporta principal. E talvez seja por isso que doa tanto agora. Estou tão acostumada a te ter presente que eu não consigo imaginar a ideia de sentir alguma coisa e não te contar. Ou de mentir, o que eu venho tentando fazer sem sucesso vezes o suficiente para quebrar toda a sua confiança em mim.

Eu estou quebrando a gente. Estou quebrando esse nós que sempre durou além de todas as diferenças e além de tudo o que fora feito e dito. Estou quebrando o meu grande alicerce durante esses anos e tudo porque eu não consigo responder.

… Eu quero você. E quero que você me queira de volta.

… Quero que você me escolha, mesmo esse uso de palavras seja…

… Quero que você me ame. Não em palavras, quero ver e sentir isso. Quero ter certeza disso.

Eu só quero que você faça o que você diz que já faz, que você monte esse quebra-cabeças que eu virei do jeito que só você consegue fazer. Eu quero tudo.

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