Ultimato

ultimato

Eu queria conseguir fazer muitas coisas. Queria conseguir voar, às vezes. Poder escapar desses pés mundanos que me prendem no chão enquanto tudo que eu procuro parece estar em outro lugar. Queria conseguir ficar invisível, para poder fugir de todas as pessoas que me fazem mal, sem precisar contornar nada ou enfrentar nada. Queria conseguir ser capaz de não sentir nada. Não sentindo nada, você não sofre. E não sofrendo, você não sente. É um círculo que se completa, de uma maneira ou de outra. Se completa em dor, em desapontamento, em quebras, em silêncio e, acima de tudo, em um amor que machuca mais do que ama.

Eu queria poder não sentir isso por você mais. Eu queria poder voltar na época em que isso era uma coisa boa para mim. Em que eu me sentia bem por te amar e por você me amar de volta. Voltar a época em que eu ainda acreditava nessa falácia do desenvolvimento humano, na existência de um amor bom. Não há nada de bom nisso. Não há nada de bom em amar e só sofrer em resposta, em amar e não ser amado de volta. Em amar e só se sentir sendo colocado de lado o tempo todo. Eu preferia não sentir, sendo que é para sentir assim.

Preferia não sentir nada. Preferiria me sentir vazia.

Acima de tudo, o que eu queria conseguir fazer era conseguir impor as coisas que eu preciso fazer acima do que eu sinto. Eu queria conseguir me afastar de você, como eu sempre achei que precisei e como sempre me disseram para fazer. Eu queria conseguir ser uma amiga melhor para você, ser uma pessoa melhor. Só que eu não consigo ser nada enquanto estou presa dentro dessa esfera de dois lados completamente inversos. Não consigo deixar de me sentir mal por certas coisas que te deixam feliz e, ao mesmo tempo, não consigo me sentir feliz por você estar feliz. Não consigo me desprender e… Viver.

Me sinto presa e cada vez mais presa dentro disso.

Ao final, tudo o que eu queria poder fazer era poder te dar um ultimato. Poder te dizer que é isso ou isso e ponto final, que não irá mais haver nada depois disso. Dizer que ou você me escolhe ou você me deixa ir, me deixa em paz.

Entretanto, mesmo querendo, mesmo desejando, mesmo tendo as palavras prontas na ponta da língua… Não vou falar nada. O medo de que escolha a opção de me abandonar é maior demais para que eu faça qualquer coisa. Medo que paralisa, que congela e que faz com que essa espiral não pareça tão ruim assim. Porque, no final de tudo, é melhor sofrer e ter algum pedaço de ti do que sofrer e não ter nenhum.

Anúncios

4 comentários em “Ultimato

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s