35 =/= 25

joy

Mais um filme para comemorar a minha grande maratona dos Oscars, yay! Joy foi um dos primeiros que eu vi para essa temporada de filmes. Ele se passa nos anos noventa e conta a história (real) da criadora do miracle mop (esfregão milagroso, em tradução literal) e da sua trajetória para conseguir fazer com que aquele produto fosse um sucesso. Joy Mangano (Jennifer Lawrence) tinha uma vida medíocre com seu ex-marido morando no seu porão, sua mãe presa na cama, seu pai (que é separado da sua mãe) vindo morar também no seu porão (e ele detesta o ex-marido) e seus filhos sem ter muitos cuidados ou dinheiro para receber esses cuidados. Ela tinha uma péssima autoestima, um trabalho ruim e ela não consegue se libertar daquela situação.

Porém, ela tem uma ideia. E essa ideia se torna uma força de vontade impassível e indestrutível, levando Joy a um caminho cheio de obstáculos e pequenas vitórias. Ela tem a ideia do miracle mop, um esfregão que você pode colocar na máquina de lavar roupas e limpar sem nem tocar na parte suja do mesmo. É prático e muito fácil de usar, mas apesar das melhorias que viriam para donas de casa, Joy tem uma dificuldade enorme de fazer com que seu produto se torne um sucesso. Os seus desafios criam uma trama muito interessante de acompanhar, especialmente por ser uma mulher na frente do projeto – o que é bem raro nesse tipo de filme.

Como os outros filmes que eu gostei e foram dirigidos pelo David O. Russell a trama é simples e direta, tudo que acontece tem um objetivo e um fundamento. O filme não perde tempo com firulas que poderiam deixar o longa mais artístico, mas a simplicidade do mesmo faz com que ele seja tão divertido quanto simples de assistir. É um bom passatempo, uma boa forma de passar o tempo. Não é a melhor atuação da Lawrence (mas é a melhor dentro dos filmes do Russell), não é o melhor filme dele e não é a melhor personagem que está indicada para Melhor Atriz no Oscar. Eu não duvido que Jennifer ganhe, tendo em vista o fato dos Oscars serem completamente aficionados por ela por motivos que superam a minha compreensão.

Porque, cá entre nós, ela é boa, mas não é isso tudo.

 Só verdades.

O principal ponto a ser discutido sobre esse filme, entretanto, não faz parte do filme em si. É o apagamento de mulheres “mais velhas” no cinema. Joy é uma personagem de uns trinta e poucos anos, uma mulher bem mais velha do que Lawrence que tem vinte e cinco anos atualmente. Quando eu ouvi várias pessoas comentando sobre isso na mídia, falando sobre como era um problema para atrizes mais velhas que já tem problemas para serem colocadas em papéis de protagonismo. E é um grande problema. Há uma espécie de data de validade para mulheres em Hollywood. Isso faz com que mulheres “mais velhas” – o que nem precisa ser tão mais velhas assim, passando da imagem de garotinha já não conta mais – sejam colocadas em papéis diferentes dos homens com a mesma idade.

Essa chamada data de validade de mulheres na indústria gerou essa esquete maravilhosa da Amy Schumer com a Tina Fey, Julia Louis-Dreyfus e a Patricia Arquette:

Isso é um problema porque cria uma ideia de que mulheres mais velhas não conseguem ser atraentes e precisam, a todo custo, serem substituídas pelo “modelo mais novo”. Só que, felizmente, mulheres não são carros ou aparelhos de celular. Mulheres fora do padrão – seja de idade, estético, sexual, etc – existem e precisam estar representadas. O pior é que quando eu digo mulheres fora do padrão de idade geralmente o pensamento vai diretamente para mulheres mais idosas, mas as atrizes em questão são as que estão entre a faixa de idade dos 30, 40 ou até 50. Mulheres que não são idosas, mas também não estão na flor da idade para serem as garotas sexualmente atraentes que podem e devem ser parceiras de homens atraentes independente das idades.

O Buzzfeed fez um post maravilhoso sobre isso, trocando as diferenças de idade que as mulheres em filmes tem para os seus respectivos parceiros homens pelo inverso. É impressionante como os pares com as mulheres mais velhas do que os homens ficam muito estranhos para a gente, que estamos tão acostumados a ver casais como o Jack Nicholson (60 anos) com a Helen Hunt (34 anos) em Melhor É Impossível.

Não há nenhum problema com a atuação da Jennifer Lawrence no filme. Mas por que ela foi escolhida e não uma atriz com a idade mais qualificada para a personagem de Joy, que tinha entre 34 e 44 anos durante o período do filme? Por que não Kate Winslet, Charlize Theron, Drew Barrymore, Eva Longoria ou Judy Greer? Elas tem 40 anos. Eva Green, Kristen Bell, Laura Prepon, Michelle Williams e a Olivia Munn tem 35 anos. Por que temos que sair desse filme com a imagem mental de que uma mulher entre seus 30 e 40 anos tem a aparência de uma mulher de 25 anos?

 
COLOQUEM MULHERES MAIS VELHAS EM FILMES DE PROTAGONISMO
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