Não Quero Flor

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Hoje é o Dia Internacional das Mulheres, um dia especial que eu não comemoro há muito tempo. A data começou a ser comemorada no dia 8 de março nos anos 60, como uma forma de ter um símbolo da série de reivindicações e conquistas dos direitos das mulheres. Há, inclusive, a associação do motivo da escolha do 8 de março como a data com um incêndio intencional que matou quem trabalhavam em uma fábrica têxtil, em 1857. Na realidade, não há relato de um incêndio nessa data, mas há um de tão grandes proporções no dia 25 de março de 1911, onde 125 mulheres e 21 homens morreram.Por conta de comuns levantes contra as precárias condições de trabalho na época, os donos das fábricas costumavam trancar os trabalhadores dentro. Então, quando o incêndio começou, estavam todos trancados, o que potencializou as mortes.

Independente do que causou a escolha do dia 8 de março, o mais importante era o significado dessa data. Um dia para celebrar mulheres, não importando quem elas fossem. Infelizmente, esse dia virou uma data comercial, como muitas outras que já conhecemos bem. É um dia que recebemos vários e-mails de promoções de lingerie, máquina de lavar, geladeira, filmes de romance em DVD e várias congratulações de empresas que não fazem a menor ideia de como congratular uma mulher pelo “seu dia”. Recebemos flores nos restaurantes, na entrada de lojas, dos homens presentes. O que uma flor sem significado vai fazer para uma mulher que sente todos os dias um mundo de homens?

Ontem eu ouvi que como homem você só deve dar flores “para as suas mulheres” depois que este foi confrontado com ideia de que esse feriado é hipócrita por dar flores para mulheres quando a sociedade só lhes faz mal. Dessa forma, o homem só daria flores para as mulheres que ele faz bem, sendo estas as suas. Afinal, você não destrata a sua mãe, filha, esposa, irmã e outras mulheres “suas”, não é? Essa frase já foi o suficiente para atestar outra hipocrisia: nos tornamos cada vez mais mulheres dos outros. Eu só deveria receber flores do meu namorado, meu pai, meu avô. Do resto, posso continuar recebendo assédio enquanto caminho na rua. E para esse homem não interessa o fato de que esse pensamento faz com que os outros homens – outros da sua classe – irão ver as “suas mulheres” como alguém que eles não precisam respeitar. Afinal, eles só precisam respeitar as deles.

A flor que os respectivos homens que “me controlam” me dão deve ser o suficiente para que eu fique feliz, um presente para me calar por mais um ano. E isso se tornou parte de uma festa adotada no mundo inteiro.

O Dia Internacional da Mulher poderia ser um dia para nos libertar mais uma vez, mas é um dia que nos prende cada vez mais aos homens que nos teriam como donos. Pois bem, eu não sou pertencente a ninguém. Eu não quero flores, eu não quero parabéns, eu não quero comemorações e palavras bonitas. Não quero anúncios em tom de rosa, vendendo eletrodomésticos. Não quero promoção de artigos de cozinha. Não quero maquiagem com 50% de desconto, muito menos perfume. Eu quero respeito todos os dias do ano. Isso é um presente muito melhor do que flor hoje e tapa amanhã.

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