Onde que começamos a parar?

pensar diferente

Ódio é um problema. Ódio generalizado como uma forma de manifestação é um problema ainda maior. Quando você não consegue distinguir uma opinião de ódio, há um grande problema. Cada vez mais, nos reinos distantes da internet, esse ódio tem se disfarçado de ativismo. O ódio aparece no discurso ativista LGBTfóbico, ele aparece no discurso ativista machista e ele aparece, mais do que nunca, no discurso ativista anti-PT. Eu não vou me referir a esses discursos como anti-corrupção, mas como discursos anti-PT. Um discurso contra a corrupção não escolhe um partido, ele não tem um rosto que é o furor das manifestações. Ele é um discurso contra o simbolismo de um ato – a corrupção. E não é isso que vem acontecendo.

Muito se fala sobre a seletividade que acontece nessas manifestações contra a corrupção e, realmente, há uma seletividade dos dois lados.Uma indignação seletiva de quem abraça um lado em uma luta e começa a mergulhar na narrativa deste. Isso, mergulhar em uma narrativa, sempre nos deixa muito cegos. As coisas que o outro lado fala sobre o nosso faz com que fiquemos irritados e procuremos maneiras de apagar essa narrativa enquanto nós a afogamos em outra narrativa tão ruim quanto do outro lado. É um problema comum, uma maneira de se revoltar comum. Não é uma boa forma de protestar, entretanto. É uma maneira de quebrar narrativas e somente enrolar mais o discurso.

Entretanto, no fim de tudo, isso pode ser uma maneira ruim de protestar, mas é inofensiva. Não é como tem acontecido nos relatos que eu tenho lido, cada vez mais comuns e cada vez mais assustadores.

Não é a mesma coisa do que uma moça sair na rua com uma blusa vermelha e ter que correr de uma pessoa que a está perseguindo pela sua afinidade política. Não é a mesma coisa do que pessoas que estão entrando no metrô serem “confundidas com petistas” e agredidas na rua. Não é a mesma coisa do que um cachorro com bandeira vermelha que é agredido enquanto passeia com o seu dono. Não é a mesma coisa do que pessoas ameaçando matar os outros simplesmente porque eles “são petistas”.

Porque é isso que está acontecendo, cada vez mais. É isso que se vê o dia inteiro nas redes sociais, qualquer uma. Esses discursos violentos se alongando, crescendo e ganhando cada vez mais voz uma vez que a mídia dá voz para eles (e os recria nas suas próprias páginas, próprias postagens e próprios compartilhamentos) e cada vez mais pessoas assustadas de fazer as coisas por medo de uma resposta de um discurso. Por que um pedaço do discurso tem que ser impedido de conversar? Tem que ser impedido de ter uma opinião?

Por que as pessoas precisam ficar com medo de sair com uma roupa na rua? Uma roupa que pode ser lida como “roupa de comunista” e fazer alguma “atitude de petista”. O que isso significa? O que uma cor na roupa significa que pode provocar a morte de alguém? Por que essas pessoas decidiram que uma posição política pode decidir sobre a vida ou a morte. Essa necessidade que as pessoas parecem ter de fazer “qualquer coisa pelo país” envolve machucar os outros desse jeito? Envolve assustar os outros? É realmente tão importante assim fazer uma parcela da população sentir medo simplesmente porque eles não concordam com a sua visão do que é um Brasil melhor? Nada disso faz sentido para mim, então essas perguntas são muito verdadeiras.

 Isso vale a pena?

Isso tudo para mim só parece com o que eu penso quando vejo esse gif.

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