Você quer bolo? Aqui tem!

Eu sempre tive uma grande paixão: Bolo. Eu amo bolos. Amo comer bolos, amo a ideia de fazer bolos (apesar de eu não exatamente saber como se faz um bolo), amo decorar bolos e, também tirar foto de bolos – e postar para falar sobre esse doce maravilhoso! Que é o melhor doce do mundo, como todo mundo sabe!

Então já fazia algum tempo que eu estava com a ideia de abrir um instagram (principalmente depois de ter falado sobre como essa rede social é a minha favorita aqui) e ai eu finalmente inaugurei a minha ideia na semana passada. O Sommelier de Bolo (@sommelierdebolo) é para fazer review de, claro, bolos – mas também vou fazer de outros doces porque eu não tenho nenhum foco mesmo, então pra que tentar fingir que tenho, não é?

Para anunciar o instablog aqui no Coisas Desiguais, o meu blog lindinho, eu decidi fazer mais uma lista de instagrams que falam desse assunto – bolos ou doces. Sem mais delongas, a lista!


A Whipped Cake é uma confeitaria de Brisbane, na Australia, que faz alguns dos bolos mais maravilhosos que eu já vi na minha vida. Eles são todos incríveis e exatamente no estilo que eu mais gosto. Sem muito requinte exagerado, sem muito enfeite, sem muita zoeira e só aquele sabor mais do que delicioso de um bolo fenomenal.


Tem coisa mais gracinha? O Cuppy and Cake é um dos meus blogs favoritos para ver bolos principalmente por conta do estilo super delicado das coisas que eles publicam. Se você gosta desse tipo de “culinária arte” então aqui é o lugar para procurar! Inclusive, recentemente eles fizeram uns cookies do Pusheen que são oficialmente o MEU SONHO DE CONSUMO. Não sei porque não os tenho comigo nesse momento, honestamente.


O Tastemade já era fenomenal na versão americana (que super vale a pena olhar se você gostar de ficar para sempre obcecado por vídeos de comida), então agora chegando na versão brasileira fica incrível (novamente, obcecado por vídeos de comida!). Além de fazerem aqueles vídeos maravilhosos (!!!!!!) que a gente adora compartilhar no facebook, eles também publicam receitas e na versão BR tentam incorporar sempre coisas brasileiras nas receitas, assim como a sua versão do buzzfeed, o Tasty Demais.


A Unbirthday Bakery é também fenomenal, tal como a Whipped Cake. Isso deve ser alguma coisa de doceiras australianas, porque a confeitaria também fica na Austrália, mas em Sidney. Eu cometi o erro de entrar no site deles e lá tem os preços (que não são caros!) e estou quase querendo ir para a Austrália só para encomendar um bolo. Vai dizer que você não queria uma coisa dessas só para você? A melhor parte: Eles não usam fondant em nada (e eu não gosto de fondant, apesar de achar lindo).


A Magnolia Bakery, que está para abrir a sua primeira filial no Brasil (que infelizmente é em São Paulo, grrrrr) é um verdadeiro sonho de consumo meu. Tudo que eles tem lá é lindo e parece gostoso, mas todo mundo sempre me diz que é maravilhoso MESMO. Porque, né, tem aquelas coisas que parecem gostosas e todo mundo sempre me diz que não são (tipo Cake Boss, infelizmente). Sério, ok. OLHA ESSES CUPCAKES. Não dá uma vontade de lamber a tela?


Rocambole de pizza? Tem no feed da Gordelícias! Além de ser um blog super gracinha e que me fez stalkear a Raquel Arellano em todas as redes sociais (basicamente), o Gordelícias tem um feed maravilhoso no instagram. Ela alterna muito bem entre as fotos das receitas deliciosas, indicações de onde comer e ainda aquele drops de vida de verdade que a gente sempre gosta de ver no conteúdo. É muito legal, sério!


Quer mais? Vai lá no Sommelier! :P

Escrever no Ônibus

[IMAGENS DE DOR E SOFFRIMENTO]
[IMAGENS DE DOR E SOFFRIMENTO]

Talvez vocês tenham notado que eu tenho passado menos por aqui. Isso é verdade, eu tenho mesmo. Não por falta de gostar ou pela minha já consagrada (aqui no blog) falta de capacidade de cumprir os prazos que eu coloco para mim mesma. Dessa vez é porque eu arranjei um emprego e não tenho tanto tempo mais para escrever – o que é muito triste, mas muito feliz. A felicidade do emprego é uma coisa que me ilumina todos os dias quando eu acordo e lembro que tenho um trabalho que eu gosto, sim. Mas eu queria escrever mais.

Como funciona isso????

Acho que isso faz parte da gente, não é? Todo mundo sempre quer mais. A pessoa pode ter tudo – o que eu não tenho (ainda) – mas vai sempre decidir que precisa de mais. Precisa de mais tempo, de mais afazeres, de mais dinheiro, de mais motivações, de mais ritmo, de mais neuras, tudo. Mesmo as coisas que a gente não procura, nós sempre queremos em excesso. E, sei lá, isso faz parte da humanidade. Por isso que tem tanto problema no mundo. Não é isso que as pessoas falam? Que a ganância é o grande pecado que trazemos para nós mesmos pelos desejos não correspondidos? (Isso sou eu que digo mesmo, no caso.)

Mas uma coisa que eu notei hoje, voltando do trabalho, é que eu posso reclamar de tempo o quanto eu quiser que eu sempre vou achar tempo mal aproveitado para aproveitar melhor. Se eu realmente estivesse determinada a cumprir com um projeto, eu iria cumprir. Se eu realmente estivesse determinada em escrever, eu iria escrever. Se eu realmente quisesse, eu iria conseguir. O real, porém, é que nem sempre as coisas são assim. Pessimista, já estava pensando que iria ter que largar, deixar de lado, essa tentativa bloguística porque eu não consigo me organizar.

Então eu lembrei que para voltar do trabalho eu passo quase uma hora sentada em um ônibus vazio. O que inspira mais as pessoas do que um ônibus vazio, não é mesmo? Ao menos ônibus me inspiram demais, sempre me inspiraram. Eu tenho vários contos escritos em ônibus, vários contos sobre histórias que acontecem em ônibus. Tenho até um conto SOBRE um ônibus, que está lá na Revista Pólen. Então eu não ia deixar a rotina me derrotar e iria escrever no ônibus. Foi daí que esse texto saiu.

Eu sei que escrever no ônibus e ler no ônibus faz mal pra vista, tá? Já fui muito avisada pelo meu oculista que odeia esse hábito, mas eu não consigo impedir. As melhores ideias que eu tenho vem dentro de ônibus. Eu sempre acabo tendo ideias maravilhosas quando estou lá cercada de gente fedida que pode ou não estar lendo o que eu estou escrevendo agora. E eu tenho a facilidade de que eu não fico enjoada fácil. Então por que bloquear esse fluxo criativo?

Fica aí esse desabafo sobre escrever no ônibus. Meu pequeno manifesto.

Quando falam ‘manifesto’ parece ser uma coisa tão séria e chique, fico me sentindo que nem esse gato

No final, esse texto todo era para anunciar que eu tenho o plano de postar um texto por semana e eu realmente vou tentar cumprir esse prazo, apesar de eu nunca conseguir.

No mais: Até semana que vem!

You’re Terminated!

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Quem é mais assustador, afinal?

Quem me conhece sabe que eu sou aficionada por O Exterminador do Futuro. Eu vi todos os filmes, li todas as informações que eu poderia colocar as mãos em, vi o seriado (que até hoje é um dos meus seriados favoritos).21 de Abril de 2011 foi um dia em que eu realmente fiquei preocupada e quando não havia nenhuma menção a um ataque a todas as nações do mundo na mídia, eu fiz o sensato e fui fazer uma maratona de todos os filmes de novo.

Em resumo, eu gosto muito de Exterminador do Futuro. Quer dizer…

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Passando por isso, eu só posso dizer que eu fiquei muito feliz em conseguir pegar o livro em capa dura com a cara linda do T800 para ler, aquele maravilhoso da Darkside Books que eu (ao menos eu, não sei vocês) sempre fiquei babando nas livrarias. Quer dizer, existe alguma coisa melhor do que explorar ainda mais um universo que você já gosta? É como receber um bilhete premiado pra uma loteria que você já sabe que vai ganhar. Até porque mesmo que fosse um livro ruim, eu iria conseguir tirar alguma coisa de importante ou relevante lá de dentro.

No caso, não é um livro ruim. É um livro incrível! Desde a edição e a formatação do livro, a forma como os capítulos são iniciados e as interrupções da interface do Exterminado nas páginas, até o texto que conta a história em uma versão romantizada do roteiro original, de 1984. Esse fato faz com que não haja muitas diferenças de trama ou de andamento, claro. Não há grandes surpresas no conteúdo e no seu andamento. Isso, inclusive, é uma coisa que me fez achar que o livro pode se comunicar com até o leitor que não conhece a saga, aquela pessoa que, por algum motivo, nunca viu nenhum dos filmes. Ou seja, estava presa dentro de uma caverna. Só pode ser, né?

Para a pessoa que já conhece a história e, ainda por cima, conhece o primeiro filme muito bem o livro pode parecer um pouco monótono. Afinal, nada é mudado. As falas são iguais, os cenários se repetem, os personagens se movem da mesma forma. Mas o jeito como é desenvolvido o ambiente faz com que o livro seja um grande acréscimo, um adendo muito importante para quem aprecia essa história, principalmente na questão da recriação do universo em que o filme está inserido. No caso, esse universo é o ano de 1984. Desde a citação de marcas, estilos musicais, filmes e todo o espírito que havia nos anos 80, o livro faz questão de te imergir nessa década e nesse ano. Isso acontece, principalmente, pelas narrações de Sarah Connor que, acima de tudo, é uma garota criada naquela época e que está sendo inserida em uma época muito maior. Tal como no filme, Sarah é uma pessoa comum. Ela tem um trabalho comum, uma vida comum, se veste que nem uma garota comum e está tendo um dia de cão.

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#VDM

Essa pra mim é uma das melhores partes do Exterminador original, tanto filme quanto neste livro: O fato de que Sarah Connor nada mais é do que uma pessoa comum presa em um trama inimaginável. Afinal, não é todo dia que uma mulher descobre que a sua vida está em perigo porque ela, no futuro, vai ser mãe do escolhido para salvar a raça humana do apogeu das máquinas. É o tipo de coisa que faz você surtar um bocado, ter certeza que essas pessoas estão malucas e ainda fazer questão de tentar ao menos conseguir saber se há alguma possibilidade daquilo ser verdade.

O fato de Sarah ser uma mulher normal, uma pessoa comum, para muitos pode ser um clichê ou um problema. Inclusive, o livro apela para alguns clichês bem desnecessários que demonstram, talvez, uma incapacidade dos autores de entender como mulheres funcionam. Como, por exemplo, a citação de uma espécie de “consciência” externalizada para Sarah no formato das chamadas “Sarinhas”. Eu imagino que na cabeça do escritor todas as mulheres talvez tenham pequenas versões delas mesmas em desenho animado dando opinião sobre as coisas ou sapateando – algo bem Anastasia Steele, diga-se de passagem -, mas, ao menos, as Sarinhas não fazem muitas aparições na história. Poderiam ter sido cortadas na edição que só deixariam o livro melhor.

Apesar delas, o fato de que Sarah é uma mulher comum (com futilidades, vulnerabilidades, problemas de autoestima, etc) só faz com que a personagem cresça muito mais do que personagens que já nascem sendo grandes. Sarah teve que aprender tudo o que ela passou para frente – sozinha. Ela saiu da sua vida comum, onde tudo estava ao seu alcance, para uma onde ela tinha que lutar contra pessoas (ou ciborgues) que estavam tentando lhe matar. Ela saiu do seu emprego de garçonete para ter que aprender a lutar, manejar armas, fazer curativos, dirigir agressivamente e viver fugindo. Isso tudo enquanto ainda cria um filho e o prepara para o apocalipse impossível de parar.

Afinal, o Judgement Day vai acontecer independente do que ela fizer ou deixar de fazer. Não existe como impedir o Judgement Day ou o apogeu das máquinas. Isso vai acontecer no universo de Terminator. (E eu, infelizmente, também acredito que vai acontecer no nosso universo, é uma daquelas coisas que me deixa mais interessada ainda por essa história e mais apavorada ainda quando eu leio notícias de inteligencias artificiais sendo criadas e coisas loucas assim.)

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O que o Judgement Day diz toda vez que falam que ele acabou ^

Esse desenvolvimento da Sarah é o que dá mais gosto de ler o livro para acompanhar. No filme, ele está presente, mas ele é sutil. No livro é claro enquanto acompanhamos o seu ponto de vista e vivemos a sua agonia em ver todo o seu universo desabar. Sarah Connor se torna muito mais do que uma mulher fantástica, ela se torna uma guia para que nós mesmos consigamos entrar no mundo do Exterminador. Este que, inclusive, é a causa e efeito para todas essas mudanças. Afinal, se ele não tivesse vindo até o passado caçar Sarah, então Reese também não teria vindo salvá-la. Então John Connor não teria nascido. Mas, ao mesmo tempo, sem o Exterminador em 1984 a Cyberdyne Systems não teria sido criada e a Skynet não existiria do jeito como ela existiu.

O paradoxo já é presente em todos os filmes da saga, tanto nos bons quanto nos ruins, mas é ainda mais claro no livro enquanto os autores tentam explicar como ele funciona. Ao mesmo tempo, corre pelas palavras do texto a ideia de que esse futuro é inevitável. Que apesar deles repetirem que nós fazemos o nosso próprio destino, que até Sarah poderia fazer o seu próprio destino, isso não é exatamente real. Afinal, se há pessoas vindo do futuro para mudar coisas, o quanto desse futuro já não está marcado em aço? Como eles poderiam ir ao passado tentar alterar o futuro sem danificar as suas próprias existências? Ou será que os eventos da vinda do Exterminador para 1984 só agilizaram o Judgement Day? Será que os eventos do livro só modificaram o inevitável ou criaram o inevitável?

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Essa foto, afinal, que importância ela tinha no tempo e do espaço?

Como Sarah mesmo aponta: Dá para enlouquecer pensando nesse paradoxo.

Mas depois de Sarah a melhor parte do livro é o grande criador de toda essa confusão. O Exterminador e as suas cenas, as suas interações, trazem vida à história – apesar dele ser uma criatura só meio viva. O ciborgue, muito bem explicado pelos autores, é apresentado da forma mais visceral que eu poderia esperar ler. Ele é uma máquina e em nenhum momento se supõe diferente. O texto que o engloba é lido de uma forma diferente, as palavras são manuseadas de maneira diferente, formando frases que passam a frieza dos atos do Exterminador. Mesmo quando há aquelas frases de efeito já esperadas para esse tipo de personagem e esse tipo de franquia, ela é feita de forma maquinal.

O melhor exemplo disso par amim é um dos seus últimos capítulos, onde o Exterminador está fazendo uma checagem de seus danos e calculando quanto tempo ele ainda pode durar com a sua célula de energia nuclear. O capítulo termina de uma forma bem simples: “O Exterminador ainda duraria muito, muito tempo. As moscas, já se fartando da pele em decomposição do ciborgue, ficariam felizes em ouvir isso”. É sutil lembrar que o Exterminador é uma máquina, é simples, é abordado o tempo todo. Mas o elemento humano que o rodeia é o que mais destaca na sua criação. Afinal, o Exterminador é uma máquina de morte, mas mesmo ele precisa de uma sobrepele humana. Precisa carregar essa pele morta, esse sangue injetado, essa vida morta que lhe dá uma aparência e lhe confere a habilidade (falha) de se mesclar ao nosso redor.

Ao final do livro, quando ele começa a morrer, você se pergunta o que afinal significaria estar vivo para um Exterminador. A sua pele era um tecido vivo, mas que não tinha nenhum ligamento com o metal morto que ele carregava. O seu objetivo, matar Sarah Connor, era somente isso, mas também era algo que estava lhe guiando. Algo que estava lhe fazendo levantar e seguir. De certa forma, uma subvida que tinha sido dada a ele por uma ordem superior. No fim das contas, o Exterminador é, de certa forma, como a vida, imagino. Um ser que não pode ser barganhado com, que não sente piedade ou remorso ou medo e que absolutamente não vai parar até que você esteja morto.

Meio mórbido, mas interessante. O contraste entre a Sarah e o Exterminador, antagonistas completos, forma um arco excelente e uma leitura tão boa quanto uma experiência vendo o filme.

Crise de Criatividade

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Nevermore!

A palavra escrita no papel fazia com que ele sentisse alguma coisa vindo pelas suas entranhas, como se as palavras do antigo poeta fizessem alguma diferença na sua falta de ideia de como escrever e o que colocar no papel. Como se a força das palavras antigas criasse dentro dele uma nova imagem e uma nova forma, podendo esta se transformar em palavras que surgissem como uma história na sua mente. Ele apagou o cigarro que tinha pendendo nos lábios dentro do vaso de plantas que, ultimamente, vinha se tornando mais um cinzeiro. As folhas mortas na sua frente, sem água e sem brilho, lhe deixavam um pouco melancólico. No entanto, melancolia é algo bom para se escrever sobre, não? Todas as grandes histórias são sobre melancolia, são sobre tristeza. Se ele pudesse ver vocês, seus leitores, ele perguntaria se vocês conhecem alguma história marcante com um começo feliz ou que conte uma história de felicidade presente. Lázaro seria o primeiro a dizer que não há e o primeiro a dizer que não há necessidade de haver também. Histórias são escritas na base de lágrimas e de sentimento. Felicidade é um sentimento comum, é um sentimento que acontece na vida e que todos conhecem, não é a mesma coisa de descobrir um sentimento novo ou de desenterrar algo que vá te levar às lágrimas.

Talvez fosse isso que faltasse a ele para que conseguisse escrever. Um sentimento verdadeiramente avassalador, uma coisa que fizesse com que ele notasse que a verdade estava presente dentro de todas as coisas. Só que ele não sentia nada, ultimamente. Olhava a tela do computador onde escrevia, olhava aquelas palavras que se embaralhavam na sua mente, e não sentia nada. Seus cinquenta e sete anos batiam sobre a barriga de chopp que vazava por cima das calças e ele começava a sentir o peso dos vinte anos de cigarro nos pulmões. Ele, quando no bar, quando na rua, quando com os amigos, parecia uma pessoa comum, uma pessoa ordinária e normal. Nada muito diferente do que se espera de alguém que venha andando na rua na sua direção e passa ao seu lado sem te fazer pensar. O problema, na verdade, era que ele sentia como se fosse assim o tempo todo, como se ele sempre tivesse sido dessa maneira e com essa formação. Como se nada tivesse adiantado dentro da sua vida para que fosse algo diferente. Como se ele nunca tivesse sentido nada na vida, nada que fizesse diferença dentro das palavras de seus livros.

Ele sentia que nunca havia vivido de verdade.

Sentia como se tivesse deixado sua vida passar pela sua frente sem falar nada, sem fazer nenhuma resistência ou tentar mostrar que estavam errados. Mostrar que todos que falavam que ele tinha que sair de casa mais, que tinha que fazer mais amigos, que tinha que mudar seu jeito de ser estavam errados. Afinal, eles estavam certos.

Seu médico dizia que esses pensamentos eram sintomas da depressão que ele vinha tentando combater com remédios. Com aquelas doses fracas de prozac e zoloft, os remédios que faziam com que ele se sentisse tão vazio. Esses remédios o ajudavam a viver, de acordo com o médico que havia lhe passado o diagnóstico. Eles lhe ajudavam a não querer deixar as coisas do mesmo jeito, a não querer que as coisas continuassem iguais. Lázaro, no entanto, só achava que eles pioravam as coisas ao invés de melhorar. Eles o deixavam dormindo na maior parte do tempo, eles o deixavam sem conseguir sentir qualquer coisa que fosse. Seja o toque do mosquito que lhe picava o braço, fosse a dor por conta da borboleta azul presa na parede. Aquele azul lhe feria os olhos pela manhã, trazendo lembranças de volta a tona como um furação, como um tufão de sentimento. Ou ao menos costumava ser assim, costumava… Faz muito tempo. Faz quase tanto tempo quanto o que tinha feito que ela fora embora. Não era, uma mulher, uma amante ou uma esposa. Ela, sua mãe. Lázaro sentia falta de sua mãe, de sua amada companhia. Ela tinha morrido quando ele havia feito trina te tantos anos, mas parecia que havia sido ontem. Parecia que ela morria todos os dias de manhã e que continuava morrendo à medida que as horas passavam por ele. Parecia que ela continuava morrendo todos os minutos do seu dia. Ele pensava em tirar o quadro da parede, mas só de chegar perto dele, sentia seus dedos tremerem.

Enquanto isso, não conseguia escrever. Não conseguia colocar as palavras no papel como queria que estivessem. Não conseguia cumprir com os desejos do editor que queria um livro novo para colocar nas prateleiras da livraria. Até agora, só aquele gralhar do corvo havia sido colocado na folha figurativa do computador. Nevermore!, ele gralhava e Lázaro repetia as palavras na sua cabeça, pensando se pegar o livro do texto para ver se ele lhe trazia alguma ideia melhor. Aquele livro de Poe na sua estante com suas leituras preferidas, com sua escuridão preferida.

No entanto, ele só se colocou na frente da janela, puxando sua cadeira para sentar ali perto, enquanto via a vida passar e os pássaros de metal voarem no ar. O som do aeroporto ali perto fazia com que ele sentisse a vida entrando pelos seus pulmões, como se pudesse sentir a essência das pessoas indo e vindo. Pessoas encontrando suas famílias e se encontrando, pessoas indo embora e voltando, pessoas… Se movendo, crescendo, mudando, largando e pegando de volta.

Então a ideia veio.

E o som do teclado fez com que todos os outros sumissem na sua frente.

Nevermore!

A diferença entre argumentos e “lacração”

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Como uma pessoa que tem o costume de entrar em discussões na internet, eu acho que convivo um pouco com algumas coisas que considero as piores coisas da internet inteira. É chuva de gente falando coisas completamente absurdas e disfarçando aquilo de opinião, de gente não sabendo argumentar, de gente atacando os outros em prol dos seus próprios preceitos (e esquecendo que do outro lado da tela tem uma pessoa de verdade que tem sentimentos de verdade). Mas, acima de tudo, eu geralmente me esforço para argumentar com as pessoas com quem eu estou discutindo e tentar fazer elas entenderem o porquê de eu estar discutindo com elas.

Não faz muita diferença para mim se eu consigo mudar a mentalidade da pessoa, desde que ela entenda porquê eu tirei tempo do meu dia para discutir com ela. Ou seja, que essa pessoa seja capaz de entender que a opinião dela fez com que algum dos meus valores tenha sido afetado pelo seu comentário. No caso, vale dizer que eu geralmente discuto na internet porque alguém está sendo LGBTfóbico ou machista, esses dois são os principais motivos que me levam a discutir com os outros. Especialmente no grande reino chamado de Sessão dos Comentários em Portais de Notícias.

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Isso é uma pessoa falando bosta pra eu discutir?

Mas esse texto não é para falar sobre como eu faço discussões na internet, porque eu tenho a consciência limpa sobre a forma com que eu falo com as pessoas. Ok, sou um pouco grossa as vezes, mas eu tento ao menos. Esse texto é para falar de 5 coisas que sempre que eu vejo sendo usadas em ativismo online eu tenho vontade de abandonar a internet para nunca mais voltar. Essas 5 coisas que, inclusive, são usadas por pessoas que geralmente eu concordo com, mas que, acima de tudo, não são argumentos. Essas coisas são, no caso, frases de efeito que viraram quase tema em discussão na internet. São frases “lacradoras” que as pessoas usam achando que estão tacando o microfone no chão e sendo fenomenais – só que na verdade estão deixando de argumentar em prol de likes e de se achar.

Sem mais delongas, elas são:

  1. “Seja menas”.
  2. “Não estou aqui para dar biscoito para macho”.
  3. “Vai estudar”.
  4. “Chora mais” e todas as suas infinitas variações.
  5. “Cala a boca, macho” e as suas também infinitas variações.

Qual é o problema dessas coisas? De boa? Elas enfraquecem um diálogo. Uma coisa que muita gente não parece entender sobre ativismo online (e, de boa, eu não sou a rainha do ativismo e nem estou aqui para ditar as regras da internet, mas isso é bem óbvio) é que você nunca vai conseguir passar a sua mensagem enquanto está hostilizando a outra pessoa. Se o seu objetivo é, como o meu, fazer a pessoa entender o porquê de você estar discutindo com ela, então falar “seja menas, linda” não vai te ajudar em nada. Você não deu nenhum argumento para essa pessoa, você só fez com que ela se sentisse hostilizada sem saber porque. Se o seu objetivo é fazer com que a pessoa entenda o porquê dela estar recebendo esse puxão de orelha, então falar “chora mais” não vai ajudar em nada. Essa pessoa só vai se sentir atacada e, assim, se bloquear para qualquer aprendizado.

O meu problema com “vai estudar” é um pouco mais complexo. Até porque esse comentário não só acaba com qualquer capacidade de debate como ele também pode fazer com que a pessoa realmente vá estudar e estude errado. Não custa nada além de um pouco de paciência explicar para as pessoas as coisas no lugar de mandar ela ir estudar sozinha. Até porque, se você quer provar um ponto, explicar para a pessoa só vai ajudar ao seu ponto passar mais fácil, não é? No mundo utópico é isso o que acontece, mas no mundo real nem sempre depois de você explicar bonitinho a pessoa entende. Isso é um saco, eu entendo. Mas aí você tem a oportunidade de sair dessa discussão tendo feito a sua parte e, isso, as vezes é tão importante quanto fazer com que a outra pessoa entenda o seu ponto. Mas, além disso, tem grandes chances de que quando você manda uma pessoa “ir estudar”, ela talvez vá usar a maravilhosa forma de comunicação que é pesquisar no google. Quem garante que pesquisando no Google essa pessoa vai achar as informações certas?

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Um exemplo prático. O motivo que muitas vezes me faz discutir na internet é por conta de pessoas sendo afóbicas (ou acefóbicas, que denomina pessoas que são preconceituosas contra assexuais), o que muitas vezes acontece por ignorância das outras pessoas diante da assexualidade. Já tive que discutir com gente que falava que assexualidade era doença, que assexualidade era parte de trauma psicológico, que assexualidade é “uma pessoa que não conseguiu achar ninguém e ai arranjou essa desculpa”. Tudo isso é um saco, claro, mas eu prefiro achar que essas pessoas são só ignorantes diante do que é assexualidade. Principalmente porque em muitas dessas discussões as pessoas não usavam nem assexual para se referir às pessoas dessa orientação sexual, mas usavam “assexuado”. Você já pesquisou “assexuado” no Google? Eu já. É menos ruim do que eu esperava, mas ainda tem um monte de informação errada sendo propagada.

Dessa forma, ao mandar a pessoa “ir estudar”, eu estaria mandando a pessoa se informar em locais que poderiam muito bem estar dando as informações todas erradas. Enquanto isso, eu, uma pessoa perfeitamente apta para lhe explicar, estaria ali “lacrando” com a resposta bombástica.

Então chegamos aos dois últimos termos que estão presentes, principalmente, em discussões dentro de espaços feministas: “cala a boca macho” e “não estou aqui para dar biscoito para macho” com as suas variações. Eu tenho um problema muito sério com esses termos porque, de novo, eles hostilizam no lugar de fazer qualquer bem. Como eu já disse, em uma discussão, quando você hostiliza a outra pessoa, ela para de ouvir e somente responde de forma hostil. Nada mais vai entrar na cabeça daquela pessoa, o debate acabou naquele momento. Mas é um pouco além disso, quando se usa esse tipo de resposta, você não está nem tentando defender e nem tentando argumentar nada. Não tem nada sendo dito por isso, só um desejo de hostilizar aquela outra pessoa – o ‘macho’.

Ao mesmo tempo, o que me incomoda mais nesses argumentos não é o fato de que esses comentários são feitos geralmente sem nem ouvir o que a outra pessoa está dizendo. São feitos só porque é um homem. E, honestamente, esse tipo de ativismo que exclui os outros do debate não é o meu tipo de ativismo. Eu acho que, sim, existe o protagonismo que é necessário, mas a conversa tem que abranger todo mundo. E, como eu já fico repetindo o texto todo, esse tipo de comentário só exclui a pessoa, hostiliza a pessoa. Esse tipo de comentário só faz com que a pessoa crie ainda mais um bloqueio a esse tipo de conversa. Feminismo vira sinônimo de odiar homens porque ao invés de lhes explicar o porquê de que a opinião de mulheres é mais importante, a gente manda eles irem embora de uma forma violenta.

No fim das contas, provavelmente nenhuma das pessoas que usa esse argumento vai concordar ou talvez nem mesmo pensar no que eu estou dizendo. Talvez esse post receba uma chuva de comentários falando que eu tenho que parar de querer dar biscoito para macho.

Mas, na real, eu só quero um espaço melhor na internet onde as pessoas que estão “do meu lado” nessas brigas sejam capazes de argumentar sem usar jargões dignos do Zorra Total.